Quem é quem em Os Lusíadas: vinte e quatro num só esquema

Vinte e quatro figuras do poema de Camões num diagrama — a armada e os seus capitães, a Casa de Avis, o concílio dos deuses, o Samorim de Calecute e o gigante que é um cabo.

Cânone: O poema de 1572

Quem é quem em Os Lusíadas: vinte e quatro num só esquema

Os Lusíadas tem duas famílias e uma tripulação. As famílias são a Casa de Avis, que manda a armada partir, e o Olimpo, que discute se ela chega — Júpiter com três filhos, dois deles a favor e um contra. A tripulação não é família nenhuma: são homens ligados por comando, por ofício e por medo, e é por isso que neste esquema os traços mais importantes não dizem pai nem filho, dizem Protetora da armada de, Inimigo da armada de, Gigante que amaldiçoa.

O esquema num relance

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Relações
3
Gerações

Como se lê

Cada cartão é uma figura e cada traço uma relação em que se pode clicar. As faixas de cor separam os mundos do poema: a armada e os seus capitães, a Casa de Avis, o concílio dos deuses, Calecute, os mouros da costa, o Adamastor. Veja primeiro a forma: em cima os deuses, em baixo os reis, e no meio uma fila de homens que não tem parentes em nenhum dos dois lados.

  • Vasco da Gama (A armada, Os capitães, Calecute, O oceano, A Ilha dos Amores)
  • Paulo da Gama (A armada, Os capitães, A Ilha dos Amores, Calecute)
  • Nicolau Coelho (A armada, Os capitães)
  • Fernão Veloso (A armada, O oceano, A Ilha dos Amores)
  • Leonardo (A armada, A Ilha dos Amores)
  • João de Coimbra (A armada, O oceano)
  • Dom Manuel I (A Casa de Avis, A armada)
  • Dom João II (A Casa de Avis)
  • Infante Dom Henrique (A Casa de Avis, O oceano)
  • Inês de Castro (Inês de Castro, A Casa de Avis)
  • Dom Pedro I (Inês de Castro, A Casa de Avis)
  • Dom Afonso IV (Inês de Castro, A Casa de Avis)
  • Egas Moniz (A Casa de Avis)
  • Nuno Álvares Pereira (A Casa de Avis)
  • Dom João I (A Casa de Avis)
  • O Samorim (Calecute)
  • Monçaide (Calecute, Os mouros da costa)
  • O Catual (Calecute)
  • Júpiter (O concílio dos deuses)
  • Vênus (O concílio dos deuses, A armada, A Ilha dos Amores)
  • Baco (O concílio dos deuses, Os mouros da costa)
  • Marte (O concílio dos deuses)
  • Tétis (O concílio dos deuses, O oceano, A Ilha dos Amores)
  • Adamastor (O Adamastor, O oceano)
  • (A armada, Os capitães)
  • f17123e5-ef85-4ed3-851f-cdd1546e23c1 é pai ou mãe de Vasco da Gama
  • f17123e5-ef85-4ed3-851f-cdd1546e23c1 é pai ou mãe de Paulo da Gama
  • Júpiter é pai de Vênus (O concílio dos deuses)
  • Júpiter é pai de Baco (O concílio dos deuses)
  • Júpiter é pai de Marte (O concílio dos deuses)
  • Marte — Toma no concílio o partido de — Vênus (O concílio dos deuses)
  • Baco — Contradiz no concílio — Vênus (O concílio dos deuses)
  • Marte — Faz calar no concílio — Baco (O concílio dos deuses)
  • Júpiter — Promete o Oriente a — Vasco da Gama (O concílio dos deuses, A armada)
  • Vênus — Protetora da armada de — Vasco da Gama (O concílio dos deuses, A armada)
  • Baco — Inimigo da armada de — Vasco da Gama (O concílio dos deuses, A armada)
  • Vênus — Manda receber a armada a — Tétis (O concílio dos deuses, A Ilha dos Amores)
  • Tétis — Ninfa que recebe e mostra o mundo a — Vasco da Gama (A Ilha dos Amores, O oceano)
  • Adamastor — Apaixonado sem esperança por — Tétis (O Adamastor, O oceano)
  • Adamastor — Gigante que amaldiçoa — Vasco da Gama (O Adamastor, O oceano)
  • Baco — Instiga contra a armada — O Samorim (Os mouros da costa, Calecute)
  • Baco — Volta contra a armada — O Catual (Os mouros da costa, Calecute)
  • 066e1afd-0261-5d0a-bb21-17f743fdc4cf é pai ou mãe de Paulo da Gama (A armada, Os capitães)
  • 066e1afd-0261-5d0a-bb21-17f743fdc4cf é pai ou mãe de Vasco da Gama (A armada, Os capitães)
  • Vasco da Gama é gerencia de Nicolau Coelho (A armada, Os capitães)
  • Vasco da Gama é gerencia de Fernão Veloso (A armada)
  • Vasco da Gama é gerencia de João de Coimbra (A armada)
  • Vasco da Gama é gerencia de Leonardo (A armada)
  • Paulo da Gama é colega de trabalho de Nicolau Coelho (Os capitães)
  • Fernão Veloso é amigo de Leonardo (A armada, A Ilha dos Amores)
  • João de Coimbra é colega de trabalho de Fernão Veloso (A armada, O oceano)
  • Nicolau Coelho é colega de trabalho de João de Coimbra (A armada)
  • Leonardo — Persegue uma ninfa do séquito de — Tétis (A Ilha dos Amores)
  • Dom Manuel I é gerencia de Vasco da Gama (A Casa de Avis, A armada)
  • Dom João II é parente de Dom Manuel I (A Casa de Avis)
  • Infante Dom Henrique é parente de Dom João II (A Casa de Avis, O oceano)
  • Infante Dom Henrique é parente de Dom Manuel I (A Casa de Avis, O oceano)
  • Dom Afonso IV é pai de Dom Pedro I (A Casa de Avis, Inês de Castro)
  • Dom Pedro I é pai de Dom João I (A Casa de Avis)
  • Dom Pedro I é marido de Inês de Castro (Inês de Castro)
  • Dom Afonso IV — Manda matar — Inês de Castro (Inês de Castro)
  • Dom João I é gerencia de Nuno Álvares Pereira (A Casa de Avis)
  • Dom João I é parente de Dom João II (A Casa de Avis)
  • Vasco da Gama — Conta em Melinde a história de — Egas Moniz (A Casa de Avis)
  • Vasco da Gama — Conta em Melinde a batalha de — Nuno Álvares Pereira (A Casa de Avis)
  • O Samorim é gerencia de O Catual (Calecute)
  • Monçaide — Mouro de Tunes que ajuda — Vasco da Gama (Calecute, Os mouros da costa)
  • Monçaide — Traduz para a armada diante de — O Catual (Calecute)
  • Monçaide — Mouro na corte de — O Samorim (Calecute, Os mouros da costa)
  • O Catual — Governador que detém — Vasco da Gama (Calecute)
  • O Samorim — Recebe e depois desconfia de — Vasco da Gama (Calecute)
  • Paulo da Gama — Mostra as bandeiras pintadas a — O Catual (Calecute)
Interativo — arraste para explorar e clique numa pessoa para focar.

A armada: um capitão-mor, um irmão e um piloto que o poema quase não olha

Vasco da Gama sai de Belém em 1497 e é, ao mesmo tempo, o herói e o narrador de metade do livro — em Melinde conta ao rei a história de Portugal inteira. Paulo da Gama, seu irmão, capitaneia o São Rafael e é ele quem mostra ao Catual as bandeiras pintadas com os heróis portugueses. Nicolau Coelho leva o Bérrio, o navio menor e mais rápido, e foi o primeiro a voltar com a notícia. E há João de Coimbra, piloto do São Gabriel: a figura que o poema quase não olha e sem a qual nada disto acontece — quem sabe onde fica o norte quando não há costa à vista.

A armada

Vasco da Gama
Vasco
Capitão-mor da armada
Paulo da Gama
Paulo
Capitão do São Rafael
Nicolau Coelho
Nicolau
Capitão do Bérrio
João de Coimbra
João
Piloto do São Gabriel
Fernão Veloso
Fernão
Soldado
Leonardo
Leonardo
Soldado
As armas e os barões assinalados / que da ocidental praia lusitana...
— Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I

O concílio dos deuses, que decide antes de discutir

Júpiter preside e já decidiu, antes de a discussão começar, que os portugueses chegarão à Índia. Vénus protege a armada, desvia tempestades e compra o vento. Baco é o inimigo: teme perder o Oriente, que foi dele, e por isso arma o piloto traiçoeiro, os mouros de Mombaça e a desconfiança de Calecute. E Marte toma o partido de Vénus batendo com o escudo — o argumento mais curto do poema. O esquema mostra isto de um modo que a leitura esconde: os três deuses que disputam a viagem são irmãos, e o pai já lhes deu a sentença.

A protetora e o inimigo

Vênus

Vênus

Deusa protetora da armada

Nascimento: —
Morte: —
Local de nascimento: —
Casamento: —
Baco

Baco

Deus inimigo da armada

Nascimento: —
Morte: —
Local de nascimento: —
Casamento: —

Avis: de um rei que manda matar a um rei que manda partir

Afonso IV decidiu que o amor do filho era um problema de Estado e mandou resolvê-lo: é o rei que manda matar Inês de Castro em Coimbra. Pedro I vingou-a nos que a mataram e mandou coroá-la depois de morta. Do filho de Pedro, João I, o mestre de Avis feito rei por um povo que não queria ser castelhano, desce a casa que acaba por mandar a armada — passando por João II, o Príncipe Perfeito, que explorou a costa até ao cabo e recusou o plano de Colombo, e por Dom Manuel I, que a manda partir depois de sonhar com dois rios que lhe falam do Oriente. O Infante Dom Henrique está aqui por uma razão simples: juntou pilotos, cartas e caravelas em Sagres e empurrou Portugal para o mar sem nunca navegar nele.

De Afonso IV a Dom Manuel

Dom Afonso IVDom Afonso IV
→
Dom Pedro IDom Pedro I
→
Dom João IDom João I
→
Dom João IIDom João II
→
Dom Manuel IDom Manuel I

Os quatro mundos do poema

A Casa de Avis
  • Dom Manuel IDom Manuel I
  • Dom João IIDom João II
  • Infante Dom HenriqueInfante Dom Henrique
  • Inês de CastroInês
  • Dom Pedro IDom Pedro I
  • Dom Afonso IVDom Afonso IV
  • Egas MonizEgas
  • Nuno Álvares PereiraNuno Álvares
  • Dom João IDom João I
O concílio dos deuses
  • JúpiterJúpiter
  • VênusVênus
  • BacoBaco
  • MarteMarte
  • TétisTétis
A armada
  • Vasco da GamaVasco
  • Paulo da GamaPaulo
  • Nicolau CoelhoNicolau
  • Fernão VelosoFernão
  • LeonardoLeonardo
  • João de CoimbraJoão
  • Dom Manuel IDom Manuel I
  • VênusVênus
Calecute
  • Vasco da GamaVasco
  • Paulo da GamaPaulo
  • O SamorimO Samorim
  • MonçaideMonçaide
  • O CatualO Catual

O Adamastor: um cabo que é um gigante, e que ama a mulher errada

O gigante que amaldiçoa quem passa pelo Cabo das Tormentas conta, quando Vasco lhe pergunta quem é, que foi transformado em pedra por amar uma ninfa que nunca o quis — Tétis. E Tétis é precisamente quem, mais tarde, recebe a armada na Ilha dos Amores e mostra a Vasco a máquina do mundo. É o traço mais bonito do esquema: Apaixonado sem esperança por. O monstro do meio do caminho e o prémio do fim da viagem estão ligados um ao outro, e o gigante é a montanha onde essa recusa ficou.

O oceano e o Olimpo

Adamastor
Adamastor
O gigante do Cabo
Tétis
Tétis
Ninfa do mar
Vênus
Vênus
Deusa protetora da armada
Júpiter
Júpiter
Pai dos deuses
Marte
Marte
Deus da guerra
Baco
Baco
Deus inimigo da armada

Calecute: a chegada, e o que lá estava à espera

O Samorim recebe a armada com festa e depois desconfia dela. O Catual, o governador, inspeciona os navios e prende Vasco em terra para forçar o desembarque das mercadorias. E Monçaide, mouro de Tunes que já negociara com portugueses, reconhece a língua no porto, ajuda a armada, explica a cidade e no fim vai-se com ela. O poema culpa Baco por tudo isto. O esquema deixa ver a versão mais simples: os mercadores que já estavam na costa tinham muito a perder com quem acabava de chegar.

Calecute

O Samorim
O Samorim
Samorim de Calecute
O Catual
O Catual
Catual de Calecute
Monçaide
Monçaide
Mercador mouro de Tunes

Duas histórias que o herói conta em vez de viver

Egas Moniz empenhou a própria palavra por Portugal e, quando o rei não a cumpriu, foi entregar-se com a mulher e os filhos, de corda ao pescoço. Nuno Álvares Pereira é o condestável de Aljubarrota, onde Portugal ficou independente por mais duzentos anos. Nenhum dos dois está na viagem: estão no esquema porque Vasco os conta em Melinde. Metade de Os Lusíadas é um homem a contar a história do seu país a um rei estrangeiro, e estes traços — Conta em Melinde a história de — são essa metade.

Quem volta e quem não volta

Ainda de pé

  • Vasco da GamaVasco da Gama
  • Nicolau CoelhoNicolau Coelho
  • Fernão VelosoFernão Veloso
  • LeonardoLeonardo
  • João de CoimbraJoão de Coimbra
  • MonçaideMonçaide

Já se foram

  • Paulo da GamaPaulo da Gama
  • Inês de CastroInês de Castro

O poema e a viagem

No poema

A armada é protegida por uma deusa, atacada por um deus, amaldiçoada por um gigante e premiada com uma ilha. Vasco chega, discursa, é recebido e regressa. Tudo neste esquema é essa versão.

Na viagem de 1497-1499

Partiram quatro navios e cerca de 170 homens; voltaram dois navios e perto de 55 homens, muitos deles doentes de escorbuto. O São Rafael foi queimado na costa africana e Paulo da Gama morreu na Terceira, à vista de casa. Camões conhece estes factos e escolhe o outro poema — mas o número está lá, e é a razão pela qual este esquema tem uma coluna de quem volta.

Quem não está no esquema

Faltam os reis de Melinde e de Mombaça, o piloto traiçoeiro, os doze de Inglaterra, os mártires de Ceuta e a longa galeria de reis que o Canto III atravessa em poucas estrofes. Vinte e quatro cartões, escolhidos por serem aqueles a que o poema volta: a armada, os deuses, Avis, Calecute e o cabo. Um esquema com cem nomes não se lê.

Perguntas frequentes

Quem escreveu Os Lusíadas?
Luís de Camões, publicado em 1572.
De que trata Os Lusíadas?
Da viagem de Vasco da Gama à Índia, contada com os deuses antigos a tomar partido.
Que deuses aparecem no poema?
Júpiter, Vénus e Marte do lado dos portugueses; Baco contra eles.
Como estão os deuses ligados entre si?
Pela genealogia olímpica: Júpiter é pai de Vénus, de Marte e de Baco.
Quem é o Adamastor?
O gigante que personifica o Cabo das Tormentas e anuncia a desgraça aos que o dobrarem.
Vasco da Gama é uma personagem real?
Sim. O poema é histórico na viagem e mitológico em tudo o resto.
O que é a Ilha dos Amores?
A recompensa que Vénus prepara para os marinheiros no canto IX.
Quantos cantos tem o poema?
Dez, em oitava rima.
Quem é Inês de Castro no poema?
A amante de D. Pedro, assassinada por ordem do rei — o episódio mais lido do canto III.
Por que é que este quadro mistura deuses e navegadores?
Porque o poema também o faz: a viagem acontece enquanto o Olimpo discute se ela deve acontecer.

Sobre quem escreveu

Alireza Nasiri
Alireza Nasiri

Alireza Nasiri writes the family trees and story maps on the SeeWider blog, tracing who is related to whom in the books, dynasties and legends behind them.

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